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Outubro - Novembro - Dezembro - 2014
Ano XVI - nº 62

Janeiro - Fevereiro - Março -2013 - nº 55

Editorial


Pesquisas com células-tronco rendem Nobel de Medicina


O Comitê Nobel do Instituto Karolinska anunciou, em fins de outubro de 2012, a concessão do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia aos pesquisadores John Gurdon e Shinya Yamanaka, pela descoberta de que células maduras podem ser reprogramadas para se tornarem células pluripotenciais, capazes, por sua vez, de se diferenciarem em qualquer tipo de célula do organismo.


O prêmio foi divido porque os cientistas trabalharam isoladamente e suas descobertas se deram em datas distantes no tempo, porém sobre o mesmo tema: células-tronco pluripotentes induzidas (iPS, em inglês). Estas possuem características muito semelhantes às células-tronco embrionárias. Demonstrou-se que podem dar origem a qualquer tecido pertencente às três camadas embrionárias: ectoderma, mesoderma e endoderma.


Gurdon demonstrou, em 1962, num experimento que se tornou um clássico da Biologia, que a diferenciação celular poderia ser reversível. Já a descoberta de Yamanaka se deu em 2006, 44 anos depois, ao mostrar que células maduras de camundongos poderiam ser reprogramadas para se tornarem células indiferenciadas, simplesmente pela introdução nelas de alguns genes. Tais células indiferenciadas poderiam, a partir daí, serem capazes de se transformar em qualquer tipo de célula do organismo.


Em seu comunicado oficial, o Comitê Nobel realçou o fato de que, graças às descobertas de Gurdon e Yamanaka, a visão que tínhamos sobre a diferenciação celular mudou completamente, sendo possível hoje um entendimento bem mais amplo sobre o tema.


Ainda segundo o Comitê, tais descobertas chegaram a levar à revisão de textos básicos em Biologia e Medicina e ao estabelecimento de novas e promissoras linhas de pesquisa no campo da diferenciação celular. Diante da possibilidade de se reprogramar células humanas, existe atualmente a chance de se estudar doenças de etiologia desconhecida e possivelmente desenvolver novos métodos de diagnóstico e tratamento para doenças que ainda desafiam a compreensão médica. Nesse campo podemos incluir doença de Parkinson, diabetes mellitus, doenças neurodegenerativas e outras mais.


Pesquisas recentes, nessa área que tem crescido tanto nos últimos anos, têm fornecido subsídios para a compreensão dos mecanismos de desenvolvimento de certas doenças e para o acerto de terapias mais eficazes contra outras.


As vantagens oferecidas à pesquisa científica por esse tipo de célula-tronco, alvo das investigações de Gurdon e Yamanata, são diversas: não possuem o inconveniente de envolverem questões morais, éticas ou mesmo de caráter religioso, que surgem quando se menciona o uso de células tronco embrionárias; constituem fonte praticamente inesgotável de células-tronco com potencial para incrementar a chamada “terapia celular regeneradora”; têm potencialidade de diferenciação igual à da célula-tronco embrionária, e podem ser obtidas a partir de células diferenciadas do próprio paciente que receberá a terapêutica. Como os tecidos possuem o mesmo material genético, não há o inconveniente da rejeição.


John B. Gurdon nasceu na Inglaterra. Doutorou-se na Universidade de Oxford em 1960 e fez seu pós-doutorado no Instituto de Tecnologia da Califórnia. Foi para a Universidade de Cambridge em 1972, onde atua como professor de Biologia Celular. Tem atualmente 79 anos de idade.


Para se ter uma ideia do valor científico da obra de Gurdon, é possível consultar o seu principal trabalho de pesquisa, pelo qual mereceu o Nobel em 2012, na referência: Gurdon, J.B. (1962). “The developmental capacity of nuclei taken from intestinal epithelium cells of feeding tadpoles”. Journal of Embryology and Experimental Morphology 10:622-640.


Shinya Yamanaka nasceu no Japão em 1962, curiosamente no mesmo ano da grande descoberta feita por Gurdon. Graduou-se em Medicina pela Universidade de Kobe e atuou inicialmente como ortopedista, antes de se dedicar à pesquisa básica. Doutorou-se em 1993 pela Universidade de Osaka, vindo a trabalhar, posteriormente, no Instituto Gladstone, em São Francisco (EUA) e no Instituto Nara de Ciência e Tecnologia do Japão. Atualmente Yamanaka é professor na Universidade de Kyoto, onde dirige um centro de pesquisas. Tem 50 anos de idade.


O principal trabalho de Yamanaka pode ser obtido na consulta à referência: Takahashi, K., Yamanaka, S. (2006). “Induction of pluripotent stem cells from mouse embryonic and adult fibroblast cultures by defined factors”. Cell 126:663-676.


O Prêmio Nobel é o mais importante prêmio científico que se conhece. Foi instituído pelo cientista e industrial Alfred Nobel, sueco, em 1895, mas só passou a ser concedido após 1901. Como curiosidade, as cinco universidades mais laureadas com o Prêmio Nobel, nas categorias científicas, pelo fato de seus ganhadores lá trabalharem quando da concessão do prêmio, são, em ordem decrescente: 1. Universidade de Califórnia, 26 ganhadores; 2. Universidade de Harvard, 24 ganhadores; 3. Universidade Rockefeller, Instituto de Tecnologia da Califórnia e Universidade de Stanford, cada uma com 16 ganhadores.


Referência bibliográfica:
http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/2012/press.html


PROF. DR. GILBERTO PEREZ CARDOSO
Professor Titular do Departamento de Clínica Médica da UFF (Niterói-RJ)
Doutor em Endocrinologia pela UFRJ
Editor da revista Conduta® Médica


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