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Outubro - Novembro - Dezembro - 2014
Ano XVI - nº 62

Abril - Maio - Junho - 2012 - nº 52
 

Editorial


Treze Anos com Nossa Linha Editorial


Com este número 52, completamos 13 anos de existência, algo que merece comemoração. São 13 anos de trabalho e de sucesso numa revista médica de linha editorial bem definida e com especificidades que a distinguem de muitas outras. Ao mesmo tempo em que temos leitores que nos acompanham desde o início, que nos manifestam elogios e o incentivo de sempre, há ainda os que nos conhecem mais recentemente, e por isso nunca é demais relembrar como nasceu a revista e o perfil de sua linha editorial.


Em fins da década de 1990 detectamos, primeiro informal e qualitativamente, e depois através de pesquisa de mercado, que os médicos estavam se ressentindo da ausência de revistas que lhes proporcionassem material para educação médica continuada. Essa carência estava identificada exatamente na falta de publicação de artigos de cunho prático. Os médicos, na pesquisa de mercado, solicitavam a publicação de matérias adequadas para educação médica continuada, com conteúdo direto, de cunho prático e abordando situações vivenciadas diariamente nos diferentes ambientes onde ocorre a prática médica. Ora, o estudo de relatos de casos e as sessões clínicas preenchiam totalmente tais anseios.


De imediato nos demos conta de um fenômeno que envolveu boa parte das publicações médicas brasileiras na década de 1990 e continua a marchar adiante. Referimo-nos ao processo de “qualificação” das nossas revistas médicas. Essa “qualificação” tem significado a indexação das revistas médicas a “bases de dados” cada vez mais “exigentes”. Essa “exigência”, contudo, não deve ser confundida com qualidade do que é publicado e, por isso mesmo, precisa ser explicada em mais detalhe.


“Exigência” na indexação significa a indexação da revista a bases de dados que são progressivamente mais “exigentes” em termos da originalidade e sofisticação dos artigos que são publicados. Nesse sentido, podemos exemplificar que o Scielo é base de dados mais exigente do que o Lilacs; o Medline, mais exigente do que o Scielo; o ISI, mais exigente do que o Medline. Com o ISI surge ainda, noprocesso de hierarquização e ranqueamentodas revistas, o chamado “fator de impacto”.O “fator de impacto” é uma espécie de nota que arevista obtém, e que tanto mais alta é quanto mais vezes os artigos publicados na revista são citados em outros artigos publicados em diversas revistas. Ora, o “fator de impacto” é uma espécie de “nota” atrelada à atividade de pesquisa, de investigação, de produção de conhecimento novo, porquanto quem leu e citou o artigo lido na revista é um investigador, um cientista, que agora está publicando um artigo em outra revista, que também publica preferencialmente artigos contendo conhecimento novo.


Com fulcro nesses conceitos, pode-se criar uma verdadeira “hierarquia” na classificação dos periódicos, em que notas (correspondentes ao “fator de impacto” de cada revista) lhes podem ser atribuídas num ranqueamento das revistas, mas que significam apenas quem é mais original, sofisticado e mais citado na comparação de revistas que publicam conhecimento novo e que competem nesse aspecto. Notemos que quem trabalha na produção de conhecimento novo é o cientista. São os cientistas que habitualmente leem e são treinados para ler artigos publicados em revistas de impacto. O médico prático trabalha com a aplicação do conhecimento sedimentado.


Daí decorre que a escolha das revistas do topo do ranking é feita por cientistas, correspondendo ao que leem e citam em seus artigos, não em função do que o médico prático costuma ler e aprovar. O material publicado nas chamadas “revistas de impacto”, na medida em que representa conhecimento novo, não costuma ser acessível ao médico prático, que muitas vezes, em maioria, não domina métodos de pesquisa sofisticados (indispensáveis para o entendimento de um artigo complexo), embora haja exceções. Além de conhecimento novo, o material publicado em “revistas de impacto” costuma ainda ser ultraespecializado, porque a pesquisa científica de ponta vai cada vez mais se sofisticando e superespecializando. Mais uma vez é forçoso admitir que esse tipo de conhecimento não é adequado à atualização do médico prático, que trabalha no ambulatório, no consultório, no posto de saúde, em hospitais que não são especializados em ensino e em pesquisa.


Como já destacamos, o médico prático não trabalha, no seu dia a dia, com conhecimento novo, mas sim com conhecimento sedimentado. O conhecimento sedimentado resulta da análise, filtragem e síntese de conhecimentos novos. Muitos conhecimentos novos não são aproveitados para a prática, são descartados. Para o médico prático interessa o conhecimento sedimentado, embora não esteja ele impedido de tomar ciência dos conhecimentos novos que surgem, através da leitura de “revistas de impacto”... se for treinado para isso e tiver tempo para tal! O fato é que nem sempre tem. Essa é a realidade.


O médico prático precisa, para continuidade de sua educação, de atualizações em torno de conhecimento sedimentado, que continuamente incorpora novidades, é claro. E, com base em nossa já longa experiência com ensino médico, podemos garantir que o treinamento e o estudo em torno de relatos de casos clínicos e sessões clínicas são dos mais efetivos instrumentos para a atualização do médico prático. Por isso nossa revista adotou o perfil editorial que faz com que seja lida e procurada por muitos colegas, independentemente da especialidade, uma vez que Conduta Médica® é uma revista aberta a todas as áreas. Uma prova de que estamos na direção correta é o fato, mais ou menos recente, de que conhecidas revistas estrangeiras, “de impacto”, vêm criando versões mais direcionadas aos médicos práticos, publicando preferencialmente relatos de casos. Como exemplo, podemos citar as publicações da conceituada American Diabetes Association. Nos últimos tempos surgiram diversas revistas internacionais especializadas em estudos de casos.


Nossa revista se encontra estruturada em torno de relatos de casos e sessões clínicas, havendo ainda as colunas “o desafio da imagem” – onde o leitor é instado a interpretar uma imagem – e “a conduta do professor”, em que destacados especialistas falam sobre suas condutas em diferentes situações. Importante destacar que as sessões clínicas não constituem em si mesmas um artigo científico, porquanto nossa revista procura reproduzir o exato ambiente em que elas ocorrem. Buscamos deliberadamente preservar o clima da discussão, registrando comentários feitos por médicos, professores, residentes e alunos. A sessão é gravada e reproduzida praticamente tal qual aconteceu, porque a espontaneidade das intervenções nos parece mais adequada e real do que se a sessão fosse toda editada e reproduzida em vocabulário mais formal e austero. Sabemos perfeitamente que a linguagem usada numa sessão clínica tende frequentemente a ser coloquial e com licenças de expressão, mas nem por isso há prejuízo para o aprendizado. Todas as sessões são revisadas pelos responsáveis antes de serem publicadas. Conduta Médica® é uma revista de educação médica continuada; não é e nem pretende se tornar uma “revista de impacto”, de investigação científica, publicando artigos sofisticados.


Deve ficar claro ainda que nada temos contra revistas que tenham optado por publicar artigos originais e com metodologia sofisticada, atendendo aos critérios de bases de dados que trabalham preferencialmente com pesquisa médica. A questão é que o artigo científico assim selecionado não costuma ser acessível à leitura de profissionais que não dominem aquela metodologia, por um lado; por outro lado, por envolverem conhecimento novo, suas conclusões frequentemente não podem ser usadas de pronto na prática. Alguns médicos práticos podem eventualmente atuar numa área superespecializada que lhes dê elementos para compreensão do material publicado nas “revistas de impacto” de sua área, mas isso é também a exceção.


Com base no explicado, reafirmamos que Conduta Médica® não possui a menor intenção nem interesse em se indexar a bases de dados que nos exigiriam, para tal, uma mudança drástica em nossa linha editorial. Isso implicaria em passarmos a publicar artigos originais e com metodologia sofisticada, deixando de lado o relato de caso e a sessão clínica, eixos de nosso perfil editorial, contendo material de interesse do médico prático, nosso alvo.


Pensamos que há lugar para todos, porque a Medicina avança e persegue seu nobre objetivo, que é atender e tratar dos nossos pacientes, tanto pelo esforço por parte de pesquisadores (que costumam ler quase que exclusivamente revistas de impacto) quanto pelo dos médicos práticos (que se beneficiam preferencialmente da leitura de revistas de educação médica continuada).


Por último, nosso agradecimento à Diretoria da Unimed Rio, a quem devemos o apoio à continuidade dessa iniciativa, que ora completa 13 anos de sucesso.


PROF. DR. GILBERTO PEREZ CARDOSO
Professor Titular do Departamento de Clínica Médica da UFF (Niterói-RJ)
Doutor em Endocrinologia pela UFRJ
Editor da revista Conduta® Médica


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