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Outubro - Novembro - Dezembro - 2014
Ano XVI - nº 62

Janeiro - Fevereiro - Março - 2007 - nº 31

Editorial


A COMUNICAÇÃO DO FATO CIENTÍFICO



Muitos colegas nos escrevem e também nos indagam sobre a importância e o valor de se comunicar o fato científico. Entendemos aqui por divulgação do fato científico o ato de relatarmos algum achado de observação ou pesquisa para a comunidade científica em geral e, em particular, para a comunidade médica.


Há uma regra geral no mundo científico para que tal comunicação seja feita. Ela foi sugerida, no seu formato, pela primeira vez, por Bradford Hill, e ganhou aceitação internacional, tendo esse modelo se tornado o modelo universal para comunicação do fato científico, seja na sua modalidade oral, seja na escrita. Trata-se do famoso sistema IMRAD, tão ignorado por muitos,


mesmo na área médica, mas tão importante para que o conhecimento científico seja difundido e atinja os mais variados segmentos. A sigla IMRAD designa cinco termos em inglês que significam: I, de introduction (introdução); M de methods (métodos); R de results (resultados); A de analysis (análise) e D de discussion (discussão). Correspondem os termos, respectivamente, aos fundamentos em que o trabalho científico de baseia (I); à descrição dos métodos escolhidos para executá-lo (M); aos resultados provenientes da investigação (R); à análise dos achados (A) e, por fim, à sua discussão (D). Modernamente os leitores de revistas médicas verificam que o item A, de análise, foi suprimido, pois, com o tempo, verificou-se que muitas vezes se confundia com a própria discussão. Por tradição, contudo, o sistema proposto por Bradford Hill continuou sendo conhecido por sistema IMRAD. Quem quer que leia um artigo científico vai verificar que este é estruturado sempre nesse sistema, universalmente, não só na Medicina mas em todas as ciências (na Física, na Química, na Biologia, etc). Da mesma forma, os colegas que desejarem fazer suas comunicações científicas, seja através de um artigo, seja por meio de poster, ou também via comunicação oral num evento, devem cuidar para que o texto ou os slides de apresentação sigam o modelo IMRAD, pois isso costuma ser adotado não só por publicações, como também nos eventos e congressos médicos. Há, contudo, algumas exceções, em especial quando se folheia publicação dedicada majoritariamente ao campo da Epidemiologia. Recentemente, com o desenvolvimento da Epidemiologia Clínica, algumas revistas passaram a sugerir, em algumas situações (em especial naquelas que envolvem trabalhos epidemiológicos), ligeiras modificações com variações em que são introduzidos alguns itens, a saber: “background”, muitas vezes em substituição à introdução, quando os autores formulam a questão a ser estudada; “objetivos”,em que se explica a intenção do autor, sucintamente, em realizar o estudo; “desenho”, para configurar o modelo de estudo epidemiológico adotado pelo autor na pesquisa; “setting” ou “local”, onde se diz mais precisamente o local onde foram arregimentados os pacientes que participam da pesquisa, e “intervenção”, tópico usado principalmente para pesquisas com medicamentos, descrevendo terapêuticas a serem utilizadas. O restante segue dentro do modelo IMRAD. Tudo isso visa favorecer o melhor entendimento por parte do leitor e também a classificação do artigo escrito nas bases de dados mais abrangentes.



Artigos de revisão e relatos de caso


Logicamente, os artigos de revisão seguem modelo um pouco diferente, começando com a introdução (I), os critérios para escolha dos artigos a serem revistos (M), a apresentação dos resultados comparados dos artigos lidos (R) e, finalmente, as conclusões dos autores, após discussão (D). Nesse caso, o modelo IMRAD reflete ligeira modificação, mas mantendo seus tradicionais análogos: I (para introdução), M (para método usado na seleção dos artigos a serem revistos), R (para apresentação, sob forma de tabelas ou gráficos dos resultados comparados dos artigos lidos) e, afinal, D (para discussão dos dados relevantes lidos e comparados entre os diversos autores). Os relatos de casos, muito importantes no meio médico e, junto com as sessões clínicas, os mais efetivos instrumentos em educação médica continuada, também sofrem adaptação para serem comunicados no sistema IMRAD. A orientação que se dá é que a introdução (I) exponha o assunto, a importância de se estar relatando o caso; em seguida, recomenda-se que os autores relatem o caso, com todas as suas nuances e informações – o que, comparando-se com o modelo IMRAD tradicional, corresponderia aos itens M (métodos) e R (resultados). No caso particular do relato de caso, os conteúdos dos dois itens se confundem e são apresentados ao mesmo tempo neste tópico do artigo; por fim, correspondendo ao item D (discussão), os autores do relato de caso discutem os aspetos relevantes do caso apresentado, comentam muitas vezes sobre o diagnóstico diferencial ou mesmo sobre uma nova terapêutica utilizada no caso relatado, tudo isso em comparação com o registrado na literatura.


Itens de praxe


Em todas as situações, contudo, é bom lembrar que há itens anteriores ao conteúdo IMRAD que são praxe nas publicações. Em primeiro lugar, sempre se situa o título do trabalho, autores e suas qualificações, palavras-chave, key-words, resumo e abstract (resumo em inglês); ao fim de tudo situam-se as referências bibliográficas e endereço dos autores. Há variações pequenas em uma ou outra revista médica, mas a norma geral costuma ser a descrita. As apresentações orais em eventos seguem as mesmas regras já especificadas. O conhecimento dessas particularidades é muito importante para que o médico não só compreenda a literatura que lê, como também possua elementos para preparar suas próprias apresentações ou mesmo elaborar os artigos, de diversas modalidades, que deseja submeter ao corpo editorial de uma revista científica.


PROF. DR. GILBERTO PEREZ CARDOSO
Professor Titular do Departamento de Clínica Médica da UFF
Doutor em Endocrinologia pela UFRJ
Consultor Ad Hoc do CNPq e da Facepe
Editor da revista Conduta Médica



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