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Ano XVI - nº 62

Abril - Maio - Junho - 2009 - nº 40

Editorial


Um Decênio


Com este número de abril/maio/junho de 2009, nossa revista Conduta Médica completa 40 edições, dez anos de vida.


Tudo começou em meados da década de 1990, quando a empresa Laura Bergallo Editora, especializada em publicações médicas, ao produzir jornais para sociedades e instituições da área de saúde, passou a receber insistentes mensagens e pedidos de seus leitores médicos solicitando a publicação, nesses veículos, de casos e sessões clínicas. Mais tarde, uma pesquisa de mercado veio a confirmar que os médicos se encontravam ansiosos por ler, nas publicações especializadas, casos e sessões clínicas. Os pedidos pela veiculação dessas modalidades de artigos médicos eram muito superiores aos de artigos originais, revisões, artigos experimentais, e quaisquer outros habitualmente veiculados por nossas revistas médicas.


Ao mesmo tempo nós, que atuamos na área acadêmica, também passamos a observar um fenômeno interessante com as publicações científicas da área médica. Num processo que foi influenciado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, órgão do Ministério da Educação que cuida da educação superior), após profunda reforma ocorrida por volta de 1996, as principais revistas médicas brasileiras se lançaram numa corrida acelerada rumo à ”qualificação”. É preciso antes de tudo que se entenda aqui o que significa, no contexto científico, do ponto de vista do pesquisador, o termo “qualificação”. Como a Capes é uma agência que cuida da educação superior e que avalia a pós-graduação stricto sensu (mestrados e doutorados), para ela “qualificação” de revistas está intimamente ligada à publicação de conhecimento novo. E conhecimento novo envolve pesquisa científica. O produto da pesquisa científica é comunicado por intermédio de artigos originais, publicados em revistas. Pesquisa envolvendo conhecimento novo hoje se faz com sofisticação.

Sendo assim, muitas revistas médicas nacionais, uma vez dada a senha por parte da Capes, lançaram-se na direção de publicar o máximo de artigos originais, epidemiológicos ou experimentais, trazendo sempre que possível conhecimento novo. Paulatinamente, o espaço antes destinado à sessão clínica e ao relato de caso foi dando lugar ao artigo original. E, quanto mais original é o artigo, maior valor científico, teoricamente, ele tem. Mais chance terá de ser lido por outro pesquisador e de ser por este citado num novo artigo escrito pelo último... e a citação tem grande valor no mundo da Ciência. No mundo da Ciência e dos pesquisadores há uma “hierarquia” das revistas, em que as “mais conceituadas” são aquelas cujos artigos originais são mais citados nos artigos escritos por pesquisadores que leem os primeiros artigos. Nossas revistas médicas então se lançaram nessa conquista, e podemos dizer que, em geral, estão sendo muito bem-sucedidas, o que é muito bom para o país, para nossa Ciência Médica e para os nossos pesquisadores. Nossa produção científica mundial ultrapassou os 2% do total, o que é muito bom.

O problema está em que conhecimento novo raramente é aplicado de imediato. Pelo contrário. Conhecimento novo frequentemente nem sempre chega a ser aplicado, pois muitas vezes é contestado antes disso. E conhecimento novo é, em geral, exposto em linguagem científica sofisticada, com método estatístico nem sempre de fácil compreensão, muitas vezes só inteligível por outro pesquisador que esteja pesquisando exatamente aquilo que o autor do artigo publicou. Ou seja, que esteja investigando na mesma linha ou em linha próxima.

Ora, já deu para perceber que estamos falando de conhecimentos pouco acessíveis ao entendimento do médico prático, que não domina estatística sofisticada (e nem tem obrigação de fazê-lo), que não trabalha com animais de laboratório e nem atua em bancada, que conhece superficialmente epidemiologia clínica e que, mesmo querendo e até tendo certo talento para se embrenhar em tais disciplinas, carece de tempo para fazê-lo de forma proveitosa, tendo em vista a extenuante jornada que já é obrigado a cumprir, no seu dia-a-dia atribulado. O que se percebe, então, é que o médico prático deseja ler material de rápida compreensão, de alta qualidade e sintético, que se aplique ao seu cotidiano, e que contemple sua educação continuada. No julgamento do médico prático, esse material é o mais interessante e útil. Evidentemente que deve ser elaborado com critério e atendendo a exigências de qualidade.

Nesse sentido, defendemos sempre e continuamos a defender que ainda não há melhor forma de se promover tal educação continuada para médicos do que a discussão em torno das sessões clínicas e do estudo minucioso dos relatos de casos, atendidos por boa revisão bibliográfica. Esse é e continuará sendo o perfil de nossa revista. Não nos seduzem as altas indexações que, para serem feitas, exigiriam que a revista passasse a ser publicada toda em inglês e que contivesse a maior parte de seu conteúdo em artigos originais, experimentais e epidemiológicos. Se fizéssemos isso, perderíamos nossa razão de ser, que é publicar material de excelência, para educação médica continuada, atendendo ao imenso público médico.

Tal pensamento não significa que desejemos sugerir um conflito ou incompatibilidade entre revistas de impacto, com artigos originais, e as de sessões e relatos de caso, no caso da nossa revista. Há espaço para ambas, e os médicos, idealmente, se quiserem e se puderem, deveriam ler material dos dois tipos. Apenas a realidade mostra não há tempo e nem condições para se fazer tudo. Nestes 10 anos de existência, a revista Conduta Médica vem atuando no sentido de propiciar educação médica continuada de excelente qualidade os seus leitores. Em 40 edições cobrimos material das mais diversas especialidades médicas, em 147 relatos de casos, 90 sessões clínicas, 16 “desafios da imagem” e 13 artigos veiculando a “conduta do professor”, além de 40 editoriais sobre assuntos relevantes a serem meditados pelos médicos, num total de 306 artigos de interesse para o profissional, voltamos a frisar, no seu aspecto eminentemente prático. Foram autores dessa produção cerca de 670 médicos e estudantes de Medicina, estimando-se que pelo menos o dobro desse número deva ter participado das sessões clínicas gravadas e divulgadas pela revista. Esse material teve a colaboração de 35 instituições médicas do Rio de Janeiro, em maioria, e também de Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco. A maior parte foi proveniente da UFF, Santa Casa-RJ, UFRJ, UniRo e Uerj, mas podemos dizer que vários outros centros onde se cultiva uma educação médica de bom padrão tiveram participação nestes 10 anos da Conduta® Médica.

Em comemoração a esse decênio de sucessos, estamos lançando nosso
site (www.condutamedica.com.br), que publicará os números anteriores da revista em pdf, a partir do ano de 2006. Tal iniciativa vem ao encontro das inúmeras solicitações de médicos (inclusive de outras cidades e estados) que desejam ter acesso à publicação e não recebem as edições impressas regularmente, e se constituirá, também, em mais um canal de comunicação entre os leitores e a revista.

Por último, gostaríamos de dizer que, em 30 de abril de 2009, uma quinta-feira à noite, estará ocorrendo no Espaço Cultural Cremerj, na sede do Conselho, uma festa comemorativa pelos 10 anos da revista Conduta Médica, para a qual todos os colegas estão convidados, e quando teremos a oportunidade de compartilhar com os profissionais do Rio de Janeiro a nossa alegria pelo sucesso e grande aceitação da publicação pelo meio médico. Na ocasião, teremos a satisfação de externar pessoalmente nossos agradecimentos à Unimed-Rio (nossa patrocinadora exclusiva) e sua diretoria; ao Cremerj, pelo apoio na divulgação da revista (que é distribuída gratuitamente aos médicos, inclusive na sede da instituição); aos colegas do corpo editorial, pelo empenho e colaboração, sempre que solicitada; aos médicos autores, que colaboram com o envio dos artigos; aos serviços que têm participado, com a gravação das sessões; aos estudantes de Medicina, que gravam as sessões e realizam a primeira elaboração do texto (depois revisto pelos editores e pelo responsável do serviço onde a sessão foi gravada), e ao pessoal técnico, sem cuja colaboração não seria possível a edição da Conduta Médica: à gráfica Sermograf e à Serifa Produção Gráfica, na pessoa do designer gráfico Guilherme Sarmento, a quem agradecemos a atenção, o talento e a gentileza de sempre.


Parabéns para todos nós!


PROF. DR. GILBERTO PEREZ CARDOSO
Professor Titular do Departamento de Clínica Médica da UFF
Doutor em Endocrinologia pela UFRJ
Editor da revista
Conduta® Médica


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Resumos desta edição

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