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Ano XVI - nº 62

Janeiro - Fevereiro - Março - 2006 - nº 27

Editorial


CURIOSIDADES SOBRE O PRÊMIO NOBEL DE MEDICINA E FISIOLOGIA


O Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia é concedido desde 1901 pela Real Academia de Ciências da Suécia. O Prêmio tem o nome de “Prêmio Nobel” em homenagem a Alfred Bernhard Nobel, sábio nascido a 21 de outubro de 1833 em Estocolmo. Nobel era filho de um engenheiro e inventor, dos mais famosos em sua pátria. Aos quatro anos mudou-se com a família para a Finlândia e, mais tarde, para a Rússia, fixando-se em São Petersburgo.


O pai de Nobel, notando-lhe o interesse acentuado por Química, mandou-o ao exterior para estudar Engenharia Química, o que fez na França, Alemanha e Estados Unidos. Em Paris, conheceu um inventor chamado Ascanio Sobrero, descobridor da nitroglicerina. Em 1863, regressando à Suécia, Nobel tentou desenvolver o uso da nitroglicerina como explosivo, controlando-lhe o potencial, para uso em engenharia civil. Numa de suas experiências com explosões experimentais, todavia, teve o dissabor da perda de um irmão. Com persistência, conseguiu adicionar novos componentes à nitroglicerina, tornando-a uma pasta moldável e mais segura, a dinamite. Essa descoberta deu-se em 1866, e tornou Nobel milionário. Nobel sempre defendeu o uso pacífico de sua invenção. Era detentor de mais de 350 patentes e chegou a enveredar pela literatura, tendo escrito poesia e dramas. Faleceu Nobel em 10 de dezembro de 1896, deixando grande fortuna e um testamento com a indicação para que se criasse uma fundação que premiasse anualmente pessoas talentosas e que contribuíssem para o desenvolvimento da humanidade. Era, acima, de tudo, um pacifista. A Fundação Nobel foi criada em 1900 e passou a conceder prêmios em cinco áreas: Química, Física, Medicina, Literatura e Paz. Como curiosidade, cumpre destacar que, em 1969, foi criado o Prêmio Nobel de Economia, que passou a ser financiado pelo Banco da Suécia.


A cerimônia de premiação do Nobel é realizada anualmente em Oslo (Nobel da Paz) e em Estocolmo (Nobel de Física, Química, Medicina, Literatura e Economia), sempre no dia 10 de dezembro, data de aniversário da morte de Nobel. A Academia Real de Ciências da Suécia escolhe o laureado do Nobel para Física, Química e Economia; a Academia de Literatura da Suécia, o de Literatura; o Comitê Nobel da Noruega escolhe o agraciado pelo Nobel da Paz.


Há muitas curiosidades interessantes sobre o Nobel de Medicina. Desde que foi instituído, em 1901, até 2005, foi concedido 96 vezes, a 184 pesquisadores. Emil Adolph von Behring foi o primeiro ganhador, em 1901. Esse bacteriologista alemão se inoculou com uma antitoxina experimental derivada do bacilo da difteria e obteve rápida recuperação. No período compreendido entre 1901 e 1939, antes da eclosão da II Grande Guerra Mundial, houve um certo equilíbrio entre os ganhadores, mas com predomínio dos alemães, com oito cientistas contemplados, vindo a seguir a Inglaterra (com seis) e os Estados Unidos (com quatro). Contando-se o período posterior à II Grande Guerra Mundial, o quadro se altera, e os Estados Unidos mostram esmagadora supremacia entre os ganhadores do Nobel de Medicina, com 94 cientistas laureados, vindo a seguir a Inglaterra, com 19, e a Alemanha, com sete. No total, os Estados Unidos têm 99 cientistas laureados com o Nobel de Medicina; a Inglaterra, 25; a Alemanha, 15; França, Suíça e Suécia, sete cada; Dinamarca, Áustria e Austrália, cinco cada; Holanda, três; Argentina e Rússia, dois cada, e com um contemplado para cada temos Itália, Espanha, Hungria, Portugal, África do Sul e Japão. É curioso também notar que os países anglo-saxões detêm a maioria esmagadora dos prêmios, que pouco foram conquistados pelos latinos e por asiáticos. Na América Latina só a Argentina foi laureada, por duas vezes, com Bernardo Houssay, premiado em 1947 por seus trabalhos sobre metabolismo dos carboidratos, e César Milstein, premiado em 1984 pelo seu trabalho sobre o desenvolvimento de anticorpos monoclonais.


É claro que a conquista da láurea Nobel em Medicina se encontra ligada diretamente à existência de infra-estrutura e condições adequadas para pesquisa biomédica, obviamente com a existência de talentos. O talento é indispensável, mas a disponibilidade de boa infra-estrutura de pesquisa conta muito para a conquista. Isso costuma ocorrer em países mais ricos e que, além de disporem dessas condições, investem fortemente em pesquisa, como é o caso dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. Nosso país bem que poderia ter sido contemplado pelo menos numa ocasião com o Nobel de Medicina, pois temos uma tradição forte em pesquisa biomédica, em que pesem dificuldades históricas de adequada infra-estrutura para pesquisa. Sabe-se que estivemos bem perto, através de nosso inesquecível Carlos Chagas.


Entre os ganhadores famosos do Nobel de Medicina podem ser citados: Pavlov (Rússia, 1904); Koch (Alemanha, 1905); Ramon y Cajal (Espanha, 1906); Ehrlich (Alemanha, 1908); Loewi (Áustria, 1936); Fleming (Inglaterra, 1945); Egas-Moniz (Portugal, 1949); Waksman (Estados Unidos, 1952); Watson (Estados Unidos) e Crick( Inglaterra) em 1962; Jacob e Monod (França, 1965); Lorenz (Áustria, 1973); Blumberg (Estados Unidos, 1976); Schally (Estados Unidos, 1977); McClintock (Estados Unidos, 1983), e Krebs (Estados Unidos, 1992).


O Nobel de Medicina de 2005 foi obtido por meio de uma descoberta bem próxima dos problemas clínicos e de natureza prática, os quais nos esforçamos por salientar na revista Conduta Médica. Sua concessão mostra o valor da boa observação clínica e mostra também como nem sempre descobertas notáveis surgem somente do trabalho em bancada e em laboratório. O Prêmio foi concedido a dois pesquisadores australianos, Warren e Marshall, que em 1982 fizeram notável e inesperada descoberta, de que gastrite e úlceras de estômago e duodeno estariam relacionadas à bactéria Helicobacter pylorii. Essa descoberta mudou a história natural das úlceras pépticas — que deixaram de ser doenças crônicas e incapacitantes, podendo ser curadas por um regime especial de antibióticos e inibidores de secreção de ácidos, conforme expressou a nota divulgada pela Comissão que concede o Prêmio Nobel. Os pesquisadores, além do reconhecimento da comunidade científica mundial, dividiram o prêmio de 10 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 1,29 milhão.


PROF. DR. GILBERTO PEREZ CARDOSO
Professor Titular do Departamento de Clínica Médica da UFF
Doutor em Endocrinologia pela UFRJ
Consultor Ad Hoc do CNPq e da Facepe
Editor da revista Conduta Médica


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