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Outubro - Novembro - Dezembro - 2014
Ano XVI - nº 62

Julho - Agosto - Setembro - 2008 - nº 37

Editorial


Nossa Linha Editorial em 10 Anos


Com esta edição, nossa revista entra em seu décimo ano de vida, que completaremos no número 40 (de abril/maio/junho de 2009).
Nesses quase 10 anos de existência, temos tido a colaboração de muitos serviços e autores do Rio de Janeiro e também de outros estados do país, sempre com material muito importante para fomentar o aperfeiçoamento médico, nossa missão precípua. Para nossa alegria, temos testemunhado uma grande aceitação de nossa linha editorial por parte dos leitores, que elogiam a revista e solicitam que continuemos a publicar material de bom nível e que colabora efetivamente para a atualização do médico em sua prática diária. Ao entrarmos nesse limiar de existência, é mais uma vez importante destacar o objetivo principal da revista Conduta Médica
. A revista foi criada, propositadamente, com linha editorial diferente da que tem sido a habitual, quando consultamos a maioria das revistas médicas em distribuição no país.

Enquanto a maioria dessas tem procurado, cada vez mais, publicar artigos complexos, com abordagem estatística sofisticada, visando galgar uma situação mais elevada na hierarquia de classificação de periódicos baseando-se na importância de material original decorrente de pesquisa, nossa revista, deliberadamente, buscou outro caminho. Tal classificação é atribuída por pesquisadores que trabalham em investigação de ponta e publicam em periódicos de circulação internacional, possuidores de perfil muito diverso daqueles para os quais, pelo menos em teoria, a publicação se destinaria: o médico prático e atuante. O artigo de pesquisa de ponta é escrito por um investigador da área, médico ou não, indivíduo que, para produzir tal conhecimento, via de regra é obrigado a se hiperespecializar, fixando seus interesses numa área muito restrita do conhecimento. Por isso mesmo, ele acaba produzindo material de boa qualidade, porém, em grande parte das vezes, só acessível à leitura dos seus “pares”. Por seus “pares” queremos aqui dizer pesquisadores que também trabalham na mesma área do autor e dominam todos os métodos que o autor é obrigado a dominar, desde os de bancada, laboratório, até os estatísticos.

Sendo assim –, e é bom que se diga que só assim –, consegue ele ler, entender e muitas vezes decifrar o que o autor quer dizer. Tais artigos tornam-se, obviamente, pouco compreensíveis para a grande maioria dos médicos que atuam diariamente no campo assistencial – a maioria esmagadora dos colegas –, que não tem tempo para se preparar de forma adequada a fim de ler e entender tais estudos, em função da grande carga de trabalho que é preciso cumprir para, ao fim do mês, ter rendimentos suficientes para arcar com seus compromissos. Mesmo que quisessem, tivessem formação específica e se empenhassem, pouquíssimos colegas conseguiriam tal façanha: atuar com grande carga horária semanal em assistência médica e ainda dominar sofisticados métodos laboratoriais, de pesquisa e de epidemiologia clínica que os habilitassem a ler e entender corretamente trabalhos científicos sofisticados. Por causa disso e depois de profunda pesquisa de mercado, detectamos que o médico está cada vez mais carente de informação não superespecializada, sólida, abrangente e que lhe permita manter-se atualizado em seu campo de trabalho, com leitura agradável e sem exageros de sofisticação. E isso se faz, há muito tempo, trabalhando em torno de relatos de casos clínicos bem estudados, atualizados, bem revisados e com sessões clínicas, clínico-cirúrgicas ou clínico-patológicas, infelizmente cada vez mais raras em nosso meio. O relato de caso e a sessão bem feitos integram o conhecimento, abordam o que há de relevante na área e ainda permitem a boa revisão atualizada do assunto, o que mais importa para a atualização do médico prático, em qualquer especialidade. Não faz muito tempo, lemos uma carta ao editor de uma das mais importantes e mais lidas revistas médicas do mundo, em que um médico reclamava da transformação progressiva por que o periódico estava passando, dando mais espaço para a publicação de “artigos originais” e menos para as revisões de assuntos e a reprodução das sessões clínicas. Estas, queixava-se ele, estavam se tornando exageradamente técnicas e excessivamente sofisticadas, com menos discussão sobre a clínica e o raciocínio diagnóstico do paciente. Reclamava o leitor, com razão, que pouco estava aproveitando da leitura do periódico, uma vez que não possuía conhecimento suficiente de detalhes tão superespecializados para entender os artigos originais; as sessões clínicas seguiam no mesmo rumo, herméticas, técnicas e desvinculadas da prática diária do médico. O editor respondeu que reconhecia as falhas, mas que não podia mudar o rumo editorial que o conselho, formado cada vez mais por investigadores, estava imprimindo à revista. Foi por detectar tal fenômeno precocemente, e em função do que sabemos ser necessário à atualização do médico no seu labor diário, que adotamos a linha editorial da revista Conduta Médica, que deliberadamente continuará a publicar material de alta qualidade, sempre preocupada com a atualização do médico prático, sabendo que diversos outros periódicos respeitáveis da área médica já estão fazendo o seu trabalho ao incrementar a publicação de pesquisas de ponta – atendendo, certamente, a um público diferente do nosso. Ao entrarmos no décimo ano de vida, compartilhamos com o leitor nossa alegria por conseguir manter por tanto tempo, e com enfática aprovação geral, nossa revista sempre atuante e cada vez mais útil ao dia-a-dia do médico. E não podemos deixar de externar aqui nossos agradecimentos à direção da Unimed-Rio pelo decisivo apoio a essa iniciativa, que sabemos ser de grande proveito para a educação continuada da classe médica.


PROF. DR. GILBERTO PEREZ CARDOSO
Professor Titular do Departamento de Clínica Médica da UFF
Doutor em Endocrinologia pela UFRJ
Consultor Ad Hoc do CNPq e da Facepe
Editor da revista Conduta Médica


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