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Outubro - Novembro - Dezembro - 2014
Ano XVI - nº 62

Janeiro - Fevereiro - Março - 2014 - nº 59







Editorial



Ciência e Prêmio Nobel, o Reconhecimento da Excelência



OInstituto Karolinska, de Estocolmo, responsável anualmente pela concessão do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia – o mais importante prêmio mundial da área médica –, anunciou em outubro último que os cientistas norte-americanos James E. Rothman e Randy W. Schekman, além do alemão Thomas C. Südhol, foram osganhadores do prêmio no ano de 2013.

Segundo o Comitê Nobel do Karolinska, os cientistas ganharam o prêmio por causade suas pesquisas acerca da engrenagem que regula o “trânsito vesicular”, um sistema de transporte básico e essencial para o funcionamento das células vivas.

Afirmou ainda o comitê que tal descoberta tem tido, até os dias atuais, um grande impacto, propiciando notáveis avanços para a Medicina.

As pesquisas dos três cientistas na verdade esclarecem como a célula viva organiza seu sistema de transporte intracelular e mostram, além disso, como o sistema é capaz de entregar a molécula certa, no lugar adequado, com grande precisão e também no instante correto. Já era conhecido que moléculas produzidas por células vivas são transportadas “empacotadas” dentro de pequenas bolsas ou vesículas para diferentes locais onde são necessárias.

Uma célula tem compartimentos que possuem funções específicas. Quando as vesículas chegam à membrana do compartimento onde devem entregar o seu conteúdo, suas membranas se fundem coma membrana-alvo, e a carga é ali descarregada. O trabalho dos ganhadores do Nobel da Medicina deste ano permitiu perceber 
os detalhes desse sistema de carreamento vesicular, que permite transportar hormônios, por exemplo, neurotransmissores, enzimas e diversas substâncias com funções diferentes para outros locais da célula, como também para o exterior dela, isso tudo com uma grande precisão.

Ocorre o transporte de grande variedade de substâncias, com funções diferentes, para diversos locais das células, bem como para o exterior, com enorme eficiência. O sistema de transporte envolvendo essas vesículas é importante para uma variada gama de processos celulares. Certas doenças imunitárias, neurológicas e metabólicas (como o diabetes mellitus) acusam defeitos nessas operações, em geral muito bem concatenadas, de tráfego intracelular. Certos microorganismos, por exemplo, podem produzir toxinas que interferem no sistema de transporteintracelular. É o caso do tétano e do botulismo. No caso do diabetes mellitus, encontramos frequentemente o mecanismo de transporte da insulina para o exterior celular comprometido, via desorganização da liberação do cálcio durante a operação, caso muito bem conhecido e que tem aplicação clínica importante. Embora nem sempre, ainda, se tenha chegado a tratamentos eficazes contra muitas das doenças decorrentes desses defeitos de transporte em vesículas intracelulares, a compreensão do funcionamentodo processo é básico para que novas pesquisas sejam conduzidas a fim de corrigir o defeito e controlar a doença dele decorrente.

Rothman nasceu em Massachusetts, em 1950, e trabalha no Departamento de Biologia da Universidade de Yale. Schekman nasceu em 1948 em Minnesota e trabalha na Universidade de Berkeley, no Departamento de Biologia Celular. O alemão Südhof nasceu em 1955 e trabalha na Universidadede Stanford. Os ganhadores vão dividir a quantia de cerca de oito milhões de coroas suecas (US$ 1,3 milhão).

A entrega dos Nobel acontece, de acordo com a tradição, em duas cerimônias paralelas, em Oslo para o da Paz e em Estocolmo para os restantes, no dia 10 de dezembro de cada ano, coincidindo com o aniversário da morte de Alfred Nobel.

Nobel nasceu em Estocolmo em 1833. 
Além de cientista e inventor, falava vários idiomas e também era poeta. Fazia muitos experimentos com nitroglicerina. Conseguiu registrar a primeira patente de um explosivo com essa substância, construindo, além disso, um detonador. O irmão de Alfred Nobel morreu em uma explosão durante um experimento com nitroglicerina em 1864, mas isso não impediu Alfred de continuar suas atividades. Enfrentou mais percalços, com nova explosão que destruiu um empreendimento seu na Alemanha. Não desanimou e inventou, logo depois, a dinamite, o que o deixou rico. Nobel morreu em sua residência em1896, na Itália, deixando a maior parte de sua fortuna para ser usada nas premiações anuais, que seguem até nossos dias.

Curioso é o mecanismo de escolha do vencedor do Prêmio Nobel. Os comitês de cada categoria enviam mensagens a milharesde professores, cientistas e acadêmicos de diversos países, solicitando indicações de concorrentes ao prêmio. Tradicionalmente restam cerca de 200 a 300 nomes de cada categoria por ano, resultantes de indicações, e que são analisados pelo Comitê Nobel. Muitos nomes podem ser indicados por mais de um cientista, ou mesmo por mais de uma organização consultada.

Também curiosa é a história da família Curie relacionada à premiação Nobel. Os Curie conquistaram nada menos que três prêmios Nobel, não no campo da Medicina, mas no terreno da Física (MarieCurie, de Física, em 1903, dividido com seu marido, Pierre Curie, também pesquisador) e no da Química, em 1911.  A filha do casal, Irene Joliot-Curie, ganhou também o Prêmio Nobel de Química de1935, que dividiu com o marido, Frederic Joliot-Curie. Pierre e Marie ganharam o prêmio por pesquisas sobre a radiação; Marie foi vencedora sozinha por causa da descoberta dos elementos químicos radioativos polônio e rádio. Já Irene e seu marido foram contemplados pela síntese de novo selementos radioativos. As descobertas da família Curie, embora tendo sido feitas nas áreas da Física e da Química, possuem hoje amplas aplicações médicas, motivo pelo qual esses pioneiros são sempre muito citados na literatura médica.

O Brasil não tem, até o momento, nenhum ganhador de Nobel, mas chegamos perto pelo menos em dois momentos, pelo que se presume: em Medicina, com Carlos Chagas, e em Física, com Cesar Lattes. Até hoje, os maiores ganhadores do Prêmio Nobel são, em ordem decrescente, as seguintes universidades: Califórnia, com 26 ganhadores; Harvard, com 24; Instituto Rockfeller, com 16 premiações; Instituto de Tecnologia da Califórnia, também com 16 premiações; Stanford, com 16 premiações; Instituto de Tecnologia de Massachusetts, com 14 premiações, e Cambridge, com 13 prêmios. As cinco universidades que mais ganharam premiações Nobel são norte- americanas .E a britânica Cambridge, não norte-americana, aparece em sexto lugar entre as maiores ganhadoras.



PROF. DR. GILBERTO PEREZ CARDOSO



Professor Titular do Departamento de Clínica Médica da UFF

Doutor em Endocrinologia pela UFRJ

Editor da revista Conduta® Médica





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